sexta-feira, 11 de maio de 2012

Meu bem, o meu lugar é onde você quer que ele seja
Não quero o que a cabeça pensa eu quero o que a alma deseja
Arco-íris, anjo rebelde, eu quero o corpo, tenho pressa de viver
Mas quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar
Que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar
Tempo para ouvir o rádio no carro
Tempo para a turma do outro bairro, ver e saber que eu te amo

quinta-feira, 10 de maio de 2012


    Se

    se por acaso
    a gente se cruzasse
    ia ser um caso sério
    você ia rir até amanhecer
    eu ia ir até acontecer
    de dia um improviso
    de noite uma farra
    a gente ia viver
    com garra
    eu ia tirar de ouvido
    todos os sentidos
    ia ser tão divertido
    tocar um solo em dueto
    ia ser um riso
    ia ser um gozo
    ia ser todo dia
    a mesma folia
    até deixar de ser poesia
    e virar tédio
    e nem o meu melhor vestido
    era remédio
    daí vá ficando por aí
    eu vou ficando por aqui
    evitando
    desviando
    sempre pensando
    se por acaso
    a gente se cruzasse...
Alice Ruiz

domingo, 6 de maio de 2012

os olhos inundados de amor
donos de um choro sujo
que fazia escorrer
aos litros
uma dor.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Você ainda não sabe
Mas eu tenho você
No meio da minha mão
Você ainda não sente
Mas nós já estamos dormindo
Sobre o mesmo colchão
Você ainda não lembra
Que nós dois estamos presos
Dentro desse refrão
E não tem nada oculto diante de nós
Esbofeteou a poesia em plena praça central
A chamou de estúpida, ridícula, banal
Cuspiu na cara inútil dessa besta-fera
Animal insólito, monólogo-cadela
Depois o valentão foi à igreja rezar
Em genuflexão quase gozou no altar
Eu quero é que se foda a sua triste fé
Me excito é com os Deuses que vivem de pé.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Tem hora de parar — e tem hora de partir. Tem hora de permanecer quieto e calado num canto, e tem hora de cantar e de voar. E agora não é hora de dobrar as asas, nem de catar gravetos para fazer o ninho. Não é hora de buscar consolo, nem de caiar o túmulo. Portanto, não envenene com teu medo a minha dança. Seja só uma testemunha desta vertigem. Porque agora, agora é hora de voar. É hora de abrir-me a todas as possibilidades. E saltar num voo livre e sem destino para dentro de mim mesmo.

quinta-feira, 29 de março de 2012

“A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais. A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama. Pisca e anda. Pisca e brinca. Pisca e estuda. Pisca e ama. Pisca e cria filhos. Pisca e geme os reumatismos. Por fim, pisca pela última vez e morre.- E depois que morre – perguntou o Visconde.- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”(Monteiro Lobato)